terça-feira, 3 de novembro de 2009

Leve-me



Acordei hoje tão leve
Que nem pássaro avoando

Como se de noite, na cama
Anjos me pusessem asas
Serafins colassem penas
Ou palhaços de circo prendessem 
Meu vestido 
Em bolhas de hélio

Como se avião virasse
Ou em cesto de balão acordasse
Como se nuvem de gotas fosse

Acordei sorrindo pro céu azul
Olhando pro sol
Com vontades de Ícaro
Sonho de borboleta

Como se asas tivesse
De parapente voasse
De repente João de Barro me tornasse

Acordei sem chuva
Com leveza de flocos de algodão
Pensamentos de fada

Como se de noite, na cama
Um anjo caído, tristonho
Colasse em meu corpo
Pluma branca ou púrpura
Tirada do meu travesseiro

E acordada continuei leve
Sem corpo e sem chão
Alma pura, alma apenas
Sem duras penas
Energia e mais nada

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Guardado

Uma vez, era bem pequena, dessas de andar de calcinha pelas ruas ainda. E de cachinhos negros. Então caí da escada de três degraus da frente de casa e quebrei o dente. Chorei. Fiquei rindo torto e sem graça por um tempão infinito, até aparecer uma fada maluca e me deixar banguela. E acho que é por isso que até hoje tenho medo de rir sem guardar o sorriso com as mãos.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pra ele

A última vez? Ah, a última vez que se viram foi assim: olhos claros, olhos tímidos. Mas queredores. E insinuantes. Ele, dono de olhos de mar... Pois se foi perto do mar! E seus cabelos eram revoltos como as ondas, eram sim, pois eram feitos de ondas, mas não azuis - eram dourados, de um mar de fim de tarde quando o sol toca o horizonte! E voz suave de ventinho de verão. E tinha música, um samba daqueles de carnaval. A areia virou lugar de deitar pra olhar estrelas logo que o sol dormiu. O mar virou lar de barcos à vela de Iriri. E o amor foi embora pra tão longe com o anel de ágata dela, um verde que morava em seu dedo desde aquele dia em Ouro Preto. Deixou um aperto em seu peito e a esperança de viagens de avião.